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10 dicas que garantem a segurança de sua empilhadeira durante uma parada prolongada (parte 4)

Saudações leitores e amigos do DDS ONLINE. Para os que já fazem parte desta comunidade, é um prazer tê-los por aqui novamente recebendo essa dose diária de uma vacina chama segurança. Para os leitores que estão aqui pela primeira vez, sejam bem vindos e sintam-se em casa. ( Não se assustem com a vacina, pois não dói rssss)

Dando continuidade ao assunto “Operações Seguras com Empilhadeiras”, hoje falaremos de um tema que já causou muitos transtornos em algumas empresas. “A parada prolongada de veículos industriais”. Muitas vezes quando estamos na empresa, estamos também dividindo nossas responsabilidades profissionais com situações de estresse, de cobranças, de cansaço físico e mental, ou até preocupados com a saúde de um filho doente. E com tudo isso acontecendo, sentimos uma vontade imensa de irmos para o conforto e aconchego de nossa casa. Em alguns casos, a vontade de ir embora é tanta, que acabamos nos esquecendo de terminar algo que faz parte da nossa rotina de trabalho. ( como apagar a luz da sala, trancar a porta do escritório, fechar a janela da sala, desligar o ar condicionado etc )

Para um melhor entendimento, vamos criar uma história, onde teremos dois personagens. Um chamado João e outro chamado Ricardo. Começando com João, ele é um operador de empilhadeira, que numa quinta-feira qualquer não via a hora do relógio marcar 17:30 para ir embora até o aconchego do seu lar. João estava muito feliz naquele dia, pois naquela semana havia um feriado prolongado que se iniciaria na sexta. A tão sonhada hora chega, e João sem hesitar, conduz apressadamente sua empilhadeira até o pequeno armazém de caixas de papelão, onde lá existia uma área demarcada destinada ao estacionamento de seu equipamento. João então estaciona a empilhadeira, apaga as luzes do armazém, fecha o portão e sai correndo para o vestiário se trocar. Até aí tudo bem, tudo normal. Menos o vazamento de gás que a empilhadeira continha. João até percebeu este vazamento no decorrer de seu expediente, mas como não queria atrasar seu trabalho por uma parada na oficina, e correr o risco de ficar na empresa até mais tarde na véspera de um feriado prolongado, João decidiu tocar adiante e levar a empilhadeira para manutenção somente na segunda-feira, pois quase não dava para sentir o cheiro do gás mesmo. Deve ser um “vazamentinho” besta pensou ele. Em parte ele tinha uma certa razão, a empilhadeira continha um pequeno vazamento na válvula de saída do botijão de GLP. João quase não sentia o cheiro do gás que vazava, por que na maior parte das vezes ele estava transitando do lado de fora da fábrica, e o gás que vazava se misturava com o ar livre, dissipando assim seu odor característico. Diferentemente da atual situação, onde a empilhadeira se encontrava em um ambiente praticamente fechado e com uma ventilação deficiente.

O tempo passa, exatamente são 22:00 horas daquela quinta-feira. Em ronda pela fábrica, temos Ricardo, que aos 30 anos de idade, fora o primeiro e único vigia em 10 anos de existência daquela empresa. Ricardo é competente no que faz, dentre tantos outros, ele é mais um chefe de família que zela pelo bem estar de seus entes queridos, principalmente dos gêmeos pequeninos, sua maior riqueza. Ricardo cumprindo o seu papel, decide então entrar no pequeno armazém e verificar se tudo ali estava ok. Como conhecia tudo aquilo como a palma de sua mão, Ricardo abre o portão do armazém e automaticamente clica no interruptor que acenderia as luzes daquele recinto. Um imenso clarão seguido de um fortíssimo estrondo estremece todo aquele ambiente, assustando todos que moravam nas proximidades daquela fábrica. Naquela noite, as estatísticas de acidentes fatais no trabalho infelizmente ganhara mais um nome em sua lista negra. Labaredas incontroláveis consumiam rapidamente 10 anos de história, enquanto que vizinhos tentavam sem o mínimo de noção, entender o que tinha acontecido naquele lugar. Depois do trabalho incessante dos bombeiros tentarem controlar o incêndio, a tão sonhada sexta-feira chega, e com ela alguns funcionários que ficaram sabendo daquele triste acontecimento. Dentre eles está João, o operador de empilhadeira, que em silêncio olhava tudo aquilo. Entre inúmeros múrmuros dos profissionais da perícia, João ouve que a causa raiz possivelmente foi um vazamento de gás proveniente da empilhadeira que ali se apresentava aos pedaços. Tomado pelo peso na consciência, naquele momento o mundo de João se desmorona tão rápido quanto as paredes do lugar que um dia lhe garantiu o ganha pão.

Pois é amigos, esta é apenas uma história fictícia, mas quem me garante que nunca poderá acontecer na vida real ? Eu quis frisar bem a vida de Ricardo, o vigia, por um único motivo. Porque quero que todos entendam, o que uma atitude imprudente, mal planejada ou simplesmente a falta de procedimentos de segurança podem acarretar na sua vida, na vida de outras pessoas e por último mas não menos importante, na vida de uma corporação.

Muitas vezes a pressa e a distração causam estragos irreparáveis tanto em nossa vida pessoal quanto na profissional. Um segundo de bobeira pode custar uma vida inteira de arrependimentos e pesadelos. No caso da nossa história, podemos perceber que o maior erro cometido foi o da imprudência. Pois João mesmo sabendo que a empilhadeira estava com avarias, e que esta estava colocando-o em risco de acidente, ele decidiu assumir esse risco e seguir em frente. Seguiu em frente porque o foco dele não era o reparo do equipamento, mas sim adiantar o serviço para não ter que ficar até mais tarde na empresa. E esta imprudência custou a vida de um inocente, como todos presenciaram aqui. Partindo para a realidade do nosso dia-a-dia, tenho quase que certeza que muitos leitores que estão lendo este texto, já presenciaram uma situação semelhante em suas empresas assim como também em suas próprias casas. Talvez já tenham saído ou visto alguém sair da empresa numa sexta feira por exemplo, e deixar de desligar o estabilizador do computador ou até mesmo deixando de desligar os dois, ficando este (s) ligado (s) até a próxima segunda feira.

Podendo neste intervalo de tempo, correr o risco de um incêndio por curto circuito no estabilizador ou computador por exemplo.

São vários os exemplos que podemos citar, onde cada um deles tem potencial para causar um acidente grave. Cabe a cada um fazer a sua parte no intuito de sempre garantir a sua própria segurança assim como também a de seu amigo de trabalho ou ente querido.

Tomando como base o veículo industrial, mais especificamente a empilhadeira, segue aqui 10 dicas para realizar a parada prolongada de seu equipamento com segurança e de forma que não estrague seu momento de descanso prolongado.

1- Realize/abra o check list diário de seu equipamento. Certifique-se que tudo está funcionando perfeitamente antes de iniciar o turno. Se no decorrer do turno perceber que algo está errado, pare a empilhadeira na oficina e deixe os profissionais realizarem os reparos. Anote no check list esta ocorrência, isto é a sua garantia de que se preocupou em consertar o equipamento.

2- Um ponto a sempre ser observado numa empilhadeira a GLP, é o perfeito estancamento do registro existente no botijão de GLP. Pois em caso de um vazamento por rompimento da mangueira de gás por exemplo, uma das medidas de contenção imediata, é fechar este registro. Uma maneira de testar seu funcionamento, é deixar o motor funcionando em marcha lenta e fechar completamente este registro. Dentro de aproximadamente 4 a 5 minutos o motor deverá se desligar por falta de gás, se isso acontecer, fique tranquilo, o registro está ok. ( Já tive casos de rosquear o registro até o final, e mesmo assim não conseguir estancar a passagem de gás. )

3- Certifique-se da execução periódica de manutenção preventiva e preditiva da a empilhadeira e também da periódica verificação das condições de conservação e funcionamento do botijão de GLP. Caso encontre alguma anomalia, solicite que a empresa responsável por este botijão repare-o ou troque o mesmo.

4- Se você perceber algum odor característico do GLP, leve imediatamente o veículo para a oficina, e peça que a equipe de manutenção realize um teste de vazamento em todo o circuito por onde passa o GLP. Este teste pode ser feito utilizando-se um copo com água e detergente diluído, onde com a ajuda de um pincel, o mecânico irá pincelar a água com o detergente em todas as uniões, conexões, engates, canos, mangueiras etc. Este pincelamento criará uma espuma em torno do local escolhido, sendo que esta espuma não pode gerar bolhas crescentes, se surgirem bolhas que aumentam de tamanho, é porque ali existe um vazamento.

5- Disponibilize um local adequado para o estacionamento de sua empilhadeira. Este local deve ter o piso plano e concretado, tem que ser bem ventilado, coberto, deve conter um extintor para um possível controle de incêndio, este local deve ficar longe de bocas de lobo que dão acesso às redes fluviais, e de preferencia que este local contenha uma iluminação artificial acessível, afim de ser observado à noite, qualquer tipo de anomalia neste ambiente, como um vazamento de fluídos por exemplo. Considerando um possível vazamento de combustível e ou óleo hidráulico, é viável que esteja presente neste local, uma ferramenta de contenção que garanta que estes materiais que vazaram causem o mínimo impacto possível ao meio ambiente.( por esse motivo o local dever ficar longe de bocas de lobo que dão acesso à redes fluviais)

6- Se for parar sua empilhadeira por um longo período, aconselha-se estaciona-la no local a ela destinado. Baixar completamente os garfos, acionar o freio de mão e também calçar de ambos os lados uma das rodas, fechar o registro do botijão de GLP, deixar o motor ligado em marcha lenta até que o mesmo desligue por falta de gás, desligar o contato, retirar a chave do contato e guarda-la no local onde somente pessoas autorizadas possam ter acesso para pegar a mesma caso necessário.

7- Em algumas empilhadeiras, existe uma chave geral de segurança que quando acionada corta a corrente de todo o sistema elétrico, separando a bateria de todo o restante dos componentes elétricos da máquina. Caso o seu modelo de empilhadeira não tenha esta chave, é viável desligar o cabo negativo da bateria afim de evitar uma possível fuga de corrente por um item que esteja defeituoso na parte elétrica. Pois se isso acontecer, quando você voltar ao trabalho e for dar a partida, o motor não irá funcionar porque a bateria perdeu toda a sua carga útil por fuga de corrente.

8- No caso das empilhadeiras a Gasolina e Álcool, todos os passos anteriores devem ser seguidos sem exceções, a única diferença aqui, é na localização do registro de corte do combustível, que fica no interior do cofre/capô do motor, próximo ao tanque de combustível. Já na empilhadeira a diesel, todos os passos anteriores devem ser repetidos, menos o processo de fechar o registro e deixar o motor se desligar. O motor a diesel funciona por compressão do óleo diesel nas tubulações de alimentação e bicos injetores, sendo assim, se você fechar o registro e deixar o motor desligar, ele ficará com ar no sistema de alimentação, causando transtornos na hora de funcionar novamente para retornar ao trabalho. No caso deste motor, desligue-o na chave normalmente, e posteriormente feche o registro de corte do combustível.

9- Realize/feche o check list do equipamento garantindo assim que tudo está ok com a empilhadeira e também com seu turno.

10- Para que tudo isso aconteça, você tem que programar uma parada de pelo menos 15 minutos antes de encerrar seu expediente.

Forte abraço a todos.

Christian Cleber.

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